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[Resenha #128] Remissão da Pena - Patrick Modiano

21:27

Título: Remissão da Pena 
Autor: Patrick Modiano 
Editora: Record 
Páginas: 128
Ano: 2015 
Avaliação: 5/5 
Sinopse: 
Patrick e seu irmão são confiados a amigas de seus pais em Paris após a Segunda Guerra. Das mulheres responsáveis pelos dois meninos pouco se sabe além do que revelam os trechos de conversas entreouvidas por Patrick: que uma delas é uma pessoa triste e que a outra foi artista de circo. Isso e o fato de receberem as visitas frequentes de Jean D. e Roger Vincent durante o dia e de diversos visitantes noturnos. Nesse mundo intangível, os dois irmãos seguem de mãos dadas pela infância através da rue du Docteur-Dornaine e em meio a visitas a castelos, excursões a Paris, leitura de histórias de aventura, tardes ouvindo rádio — sempre à espera de que, um dia, alguém volte para buscá-los.




Remissão da Pena fora mais uma grata surpresa vinda do Grupo Editorial Record como cortesia para que aqui eu pudesse transmitir a vocês o que foi ler Patrick Modiano, pela segunda vez e como foi dar continuidade a um livro que faz parte de uma trilogia ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura 2014. A frase que expressa todo o meu sentimento por está leitura é : " Embarquei junto com Patrick em uma infância que jamais será esquecida". 

Assim como em Flores da Ruína, primeiro livro do autor que tive o prazer de ler e que já foi resenhado aqui ( Clique aqui para ler a resenha ), em Remissão da Pena acompanhamos uma autobiografia cheia de lembranças e de uma nostalgia que nós carrega facilmente para o berço do romance. Sim, o autor teve todo o cuidado de transformar suas breves lembranças e mistura-las a um romance muito bem escrito. 

Novamente o autor nos leva a conhecer as ruas mais movimentados de uma Paris muito distante, quando este ainda era apenas uma criança e já possuía um bom dom para investigar e observar coisas. Nesta narrativa vamos conhecer pessoas que foram muito importantes para o crescimento do menino e de seu irmão mais velho, mulheres que tiveram por muito tempo suas guardas, mas que guardavam dos pequenos segredos que nos leitores conseguimos especular, porém sem saber se o que nos passa em mente é real. 

Depois da Segunda Guerra, os meninos foram deixados pelo pai que era um fugitivo e pela mãe que tinham ido em busca de algo melhor, para serem criados por amigas do casal. Vez ou outra o pai conseguia uma carona e podia ir visitar os meninos e saber um pouco como andavam seus estudos e suas vidas. Mas sempre permanecia por pouco tempo e os meninos depois de ouvirem histórias sobre a Paris em Guerra e sobre homens que viviam por ali, sempre ficavam por fim na esperança de que um dia a família poderia viver unida novamente. 

Em casa eles tinham um bom tratamento, mas quase sempre tinham que passar a noite trancados no quarto, pois suas tutoras recebiam muitas visitas e a eles ficava somente a fala longínqua dos visitantes ouvidas da escada ou por detrás da porta. Mas os meninos viviam em Paris e no livro Paris é como um palco de artistas, a todo momento são citados monumentos, igrejas e principalmente ruas o que faz do personagem principal quase um guia por toda a sua história dentro daquele lugar. 

Em Flores da Ruína conhecemos um personagem mais velho e com lembranças de quando ainda morava naqueles arredores, em Remissão da Pena temos toda a infância do mesmo personagem sendo retratada. Ele vai nos contar sobre suas descobertas, sobre como é viver em uma casa repleta de mulheres "misteriosas" e descreverá detalhadamente cada uma delas de sua forma. Ainda irá nos detalhar os personagens masculinos muito importantes para o todo do romance e assim como a Ana Schermak blogueira do Pausa para um café relatou na resenha dela, estes personagens são tão detalhadamente narrados, seus carros, suas vestimentas, modo de andar, falar etc que facilmente poderíamos os reconhecer na rua. 

Patrick Modiano me surpreendeu em Flores da Ruína e ganhou a minha total admiração em Remissão da Pena, sem dúvidas está autobiografia romanceada me tocou e me fez sentir ao final dos dois livros que faltava um final que selasse, literalmente colocasse fim a tudo aquilo, mas não. A vida sempre tem uma continuação, não é mesmo ? e a dele não foi diferente. 

O Livro apresenta capítulos curtos e uma capa muito bonita que é seguida por toda a trilogia que não é sequencial, ou seja, os livros são independentes e podem ser lidos fora de ordem. A diagramação é simples, as folhas são amarelas e as letras são médias o que facilita a leitura e o ritmo da narrativa também é bem fluído. 

Beijos da Lêeh

- Mandem ideias de post e assuntos que querem saber aqui no blog, eu leio tudo com muito carinho e com certeza se a ideia estiver ao meu alcance , virará post. 

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I Dare You

[ Resenha #119] Flores da Ruína - Patrick Modiano

16:00




Título: Flores da Ruína
Autor: Patrick Modiano 
Páginas: 144
Ano: 2015
Editora: Record 
Avaliação: 4/5
Cedido para resenha pela editora 
Sinopse: Em 24 de abril de 1933, dois jovens cônjuges se suicidam em seu apartamento em Paris. Naquela noite, eles teriam se encontrado com diversas pessoas e foram dançar. Trinta anos depois, o narrador tenta reconstruir a história deles, que parece se cruzar com a sua própria. Cada pergunta suscita outras, como um eco, ao curso de andanças fantasmagóricas por Paris, de lembranças que retornam à memória...



Escrito pelo autor Francês Patrick Modiano e ganhador do prêmio Nobel da Literatura em 2014, Flores da Ruína me transportou para todos os extremos de Paris e por todas as suas ruas, vielas e histórias de uma cidade anos após a guerra poderia ainda guardar.



Eu podia dizer a vocês que o livro vai contar a estória de uma casal que se suicidou em mais uma das tantas noites frias de uma cidade e que por traz dessa morte há muito mistério. Mas também poderia falar um pouco da doce Jaqueline, que em um primeiro momento aparece bastante no livro, mas só mais tarde descobrimos a real relação dela com nosso narrador . Contudo tem também o pai e a infância do narrador, que estão entranhadas em todas as partes de cada estória ali contada. Além deles têm o mendigo/ estudante/ homem que ninguém sabe a verdadeira identidade. Enfim, eu poderia tentar dizer a vocês um pouco sobre cada uma dessas pessoas. Mas infelizmente eu não posso.



Não posso porque não há como falar dessas pessoas , o narrador sem nome vai nos levar a conhecer muitos lugares e diversos mistérios que o rondam depois de 20 anos fora de uma cidade que em sua infância era bem diferente.Em Flores da Ruína , o autor mescla fatos que aparentemente são reais, de uma história pessoal , com uma fantasia tirada de sua própria cabeça. Patrick, me deixou por vezes sem compreender onde ele queria chegar com tal narrativa e logo fui percebendo que a lugar nenhum. Eu precisava apenas absorver todas as informações que ele me dava, sem tentar fazer possíveis ligações com o real e o ficcional.



E no final, foi a combinação perfeita. O autor me proporcionou estar junto ao narrador em todos os momentos, mesmo eu não sabendo se quer seu nome, pois ele não havia me contato. Ainda assim , com um início um pouco confuso e com um estilo de narrativa a mim desconhecida, não pensei em desistir da leitura, pois sabia que algo tinha ali que eu precisava conhecer. E o autor mostrou isso até o fim. Com uma narrativa fluída ( depois que você pega o ritmo caso não seja acostumado com o tipo de narrativa ) , com um enredo cheio de pontos a serem fechados , mas que carregam o leitor até as últimas páginas. E principalmente com grande lições.


Talvez alguém tenha lido e não visto as lições, mas eu fiquei pensando e para mim consegui várias. Ser um rapaz que o pai já não via a anos, cheio de perguntas sem respostas borbulhando em sua mente, com lembranças de uma infância onde a guerra ainda tinha forte influência e principalmente sozinho. Não completamente , afinal ele tinha Jaqueline, mas os turbilhões de ideias que jorram de sua cabeça a todo momento , o deixam sozinho e de certa forma ele está sozinha, tendo em vista não ter família e Jaqueline ser apenas uma namorada, companheira claro, contudo que não se relacionava em nada com suas aflições, lembranças e outros. O incrível e que ele não se deixou levar e persistiu em muitas de suas suspeitas, vagou pelas ruas sozinho em busca de respostas e as teve, não todas, porém as necessárias. A Guerra ainda estava perceptivelmente entranhada nele, mesmo que suas lembranças não fossem de rodo cruéis. Mas sem respostas.

O livro é encantador e precisa ser lido em doses homeopáticas para ser entendido e digerido. Talvez o meu entendimento tenho sido um e o de outro leitor outro e assim sucessivamente acredito que a literatura presente na obra traga várias e várias interpretações. Recomendo a leitura. 


>> Livros escolhido para o Desafio Literario I Dare You de Maio

Beijinhos <3



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