16 de julho de 2015

[Resenha #128] Remissão da Pena - Patrick Modiano

Título: Remissão da Pena 
Autor: Patrick Modiano 
Editora: Record 
Páginas: 128
Ano: 2015 
Avaliação: 5/5 
Sinopse: 
Patrick e seu irmão são confiados a amigas de seus pais em Paris após a Segunda Guerra. Das mulheres responsáveis pelos dois meninos pouco se sabe além do que revelam os trechos de conversas entreouvidas por Patrick: que uma delas é uma pessoa triste e que a outra foi artista de circo. Isso e o fato de receberem as visitas frequentes de Jean D. e Roger Vincent durante o dia e de diversos visitantes noturnos. Nesse mundo intangível, os dois irmãos seguem de mãos dadas pela infância através da rue du Docteur-Dornaine e em meio a visitas a castelos, excursões a Paris, leitura de histórias de aventura, tardes ouvindo rádio — sempre à espera de que, um dia, alguém volte para buscá-los.




Remissão da Pena fora mais uma grata surpresa vinda do Grupo Editorial Record como cortesia para que aqui eu pudesse transmitir a vocês o que foi ler Patrick Modiano, pela segunda vez e como foi dar continuidade a um livro que faz parte de uma trilogia ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura 2014. A frase que expressa todo o meu sentimento por está leitura é : " Embarquei junto com Patrick em uma infância que jamais será esquecida". 

Assim como em Flores da Ruína, primeiro livro do autor que tive o prazer de ler e que já foi resenhado aqui ( Clique aqui para ler a resenha ), em Remissão da Pena acompanhamos uma autobiografia cheia de lembranças e de uma nostalgia que nós carrega facilmente para o berço do romance. Sim, o autor teve todo o cuidado de transformar suas breves lembranças e mistura-las a um romance muito bem escrito. 

Novamente o autor nos leva a conhecer as ruas mais movimentados de uma Paris muito distante, quando este ainda era apenas uma criança e já possuía um bom dom para investigar e observar coisas. Nesta narrativa vamos conhecer pessoas que foram muito importantes para o crescimento do menino e de seu irmão mais velho, mulheres que tiveram por muito tempo suas guardas, mas que guardavam dos pequenos segredos que nos leitores conseguimos especular, porém sem saber se o que nos passa em mente é real. 

Depois da Segunda Guerra, os meninos foram deixados pelo pai que era um fugitivo e pela mãe que tinham ido em busca de algo melhor, para serem criados por amigas do casal. Vez ou outra o pai conseguia uma carona e podia ir visitar os meninos e saber um pouco como andavam seus estudos e suas vidas. Mas sempre permanecia por pouco tempo e os meninos depois de ouvirem histórias sobre a Paris em Guerra e sobre homens que viviam por ali, sempre ficavam por fim na esperança de que um dia a família poderia viver unida novamente. 

Em casa eles tinham um bom tratamento, mas quase sempre tinham que passar a noite trancados no quarto, pois suas tutoras recebiam muitas visitas e a eles ficava somente a fala longínqua dos visitantes ouvidas da escada ou por detrás da porta. Mas os meninos viviam em Paris e no livro Paris é como um palco de artistas, a todo momento são citados monumentos, igrejas e principalmente ruas o que faz do personagem principal quase um guia por toda a sua história dentro daquele lugar. 

Em Flores da Ruína conhecemos um personagem mais velho e com lembranças de quando ainda morava naqueles arredores, em Remissão da Pena temos toda a infância do mesmo personagem sendo retratada. Ele vai nos contar sobre suas descobertas, sobre como é viver em uma casa repleta de mulheres "misteriosas" e descreverá detalhadamente cada uma delas de sua forma. Ainda irá nos detalhar os personagens masculinos muito importantes para o todo do romance e assim como a Ana Schermak blogueira do Pausa para um café relatou na resenha dela, estes personagens são tão detalhadamente narrados, seus carros, suas vestimentas, modo de andar, falar etc que facilmente poderíamos os reconhecer na rua. 

Patrick Modiano me surpreendeu em Flores da Ruína e ganhou a minha total admiração em Remissão da Pena, sem dúvidas está autobiografia romanceada me tocou e me fez sentir ao final dos dois livros que faltava um final que selasse, literalmente colocasse fim a tudo aquilo, mas não. A vida sempre tem uma continuação, não é mesmo ? e a dele não foi diferente. 

O Livro apresenta capítulos curtos e uma capa muito bonita que é seguida por toda a trilogia que não é sequencial, ou seja, os livros são independentes e podem ser lidos fora de ordem. A diagramação é simples, as folhas são amarelas e as letras são médias o que facilita a leitura e o ritmo da narrativa também é bem fluído. 

Beijos da Lêeh

- Mandem ideias de post e assuntos que querem saber aqui no blog, eu leio tudo com muito carinho e com certeza se a ideia estiver ao meu alcance , virará post. 

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4 comentários:

  1. Oi Leticia,
    Nunca tinha visto esse livro, que também não é meu tipo de leitura favorita. Mas gostei da sua resenha, parece ser uma história bem nostálgica. bjs

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  2. Olá, Leticia. Não conhecia o livro e não faz muito o meu tipo de leitura. Mas mesmo assim, sua resenha está ótima.
    Beijo,
    http://www.pactoliterario.com/

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  3. Não conhecia o livro, nem o autor, mas sua resenha me fez ficar bastante interessada. Vou até anotar na wishlist!
    Beijos
    http://www.vivendonoinfinito.com/

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  4. Mesmo você tendo dito que é uma trilogia não sequencial, e que os livros podem ser lidos fora de ordem, não leria esse primeiro... sei lá, acho que os autores têm um objetivo com a ordem de publicação, e prefiro segui-la para a ordem de leitura. De qualquer modo, não sei se leria, mas se a trilogia ganhou o Prêmio Nobel, com certeza é algo a considerar.

    Beijo.

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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