2.12.14

[Texto] Ana

Oi, gente. Não sei se todos sabem mas de vez em quando eu brinco de escrever e essa semana escrevi um conto e queria o compartilhar com vocês. Espero que gostem. 

Ana...

          Numa noite que não me recordo muito bem ela entrou em meu quarto com um silêncio terrível em sua boca e principalmente em seus olhos. Apenas me olhou, ficou ali naquele canto escuro me encarando, e eu claro, a encarava novamente esperando alguma reação, uma palavra, uma lágrima, um sorriso, um movimento que seja. Mas ela só ficou ali, parada me olhando e me olhando, não conseguia nem piscar. Já passará da meia noite e ainda estávamos lá nos olhando. Eu gostaria de saber o que passava em sua cabeça, ela me olhava de um modo tão morto, não expressava nada, nenhum sentimento a preenchia nesse momento. De tanto a olhar comecei a chorar, mas não de um sentimento especifico. Só senti as lágrimas caindo, e caindo, e caindo. Para sair daquela morbidade eu levantei e a abracei e ela ficou lá parada, nem para me abraçar de volta. Desculpas, eu disse. Porém não sabia do que estava me desculpando. Poderia ser o fato de estar chorrando, ou por ter a abraçado ou quem sabe por eu estar lendo seus pensamentos e descobrir que dentro de sua mente era tão cheia e vazia, escura e clara, sem cor e colorida, e tudo isso ao mesmo tempo. Era confuso tentar entende-la, seria muito mais fácil entender um cavalo na verdade. Ela era sombria, mas tão cheia de luz. Enquanto pensei tudo isso ela continuava lá, naquele canto com uma brecha de luz batendo sobre seu corpo magro e seco. Em uma dança de olhares eu ri e ela nem esboçou reação, nem mesmo um riso escondido abaixo da sua seriedade. Eu cheguei a perguntar o que ela fazia ali, o que ela queria, mas como era de se esperar ela continuou parada. Eu já estava desistindo de tentar resolver esse enigma, foi aí então que uma lagrima caiu e percorreu todo o seu corpo e pulou para o chão. Eu entendi menos ainda. Então seca e fria ela falou exatamente essas palavras. Eu vou morrer. E saiu. Eu tentei ir atrás dela, mas estava paralisado. Eu apenas fiquei ali sentado com cara de paisagem tentando processar tudo aquilo, aquelas três palavras me desabaram. Eu só pensei nela, só pensei eu seu sorriso, em seus olhos profundos, em sua boca angelical. Só pensei em como me sentia ao seu lado e como ela era bela. Bela do seu jeito. Eu imaginei nosso futuro, nos imaginei em uma casa no campo com dois filhos e quem sabe um cachorro, papagaio ou qualquer outro animal e por um momento sorri, mas então tudo ficou preto, tudo foi ficando confuso novamente, e eu já não sabia mais quem eu era ou quem eu queria ser. Onde estava ou para onde queria ir. Eu me levantei eu tentei acha-la, mas ela já tinha ido. Para onde eu não sei, mas ela se foi. Tentei telefonar e não consegui. Sai na rua feito um louco procurando-a, mas não a encontrei. Voltei para minha casa e já eram três da manhã. Fui tentar dormir, porém não consegui. Só fiquei rolando de um lado para o outro e para ajudar minha cabeça não parava. Meu corpo queria uma coisa, mas a alma precisava de outra e a mente queria e precisava de algo completamente diferente. 

          Já era de manhã quando ela voltou chorando e implorando para eu ajuda-la. Eu não sei o que fazer. Disse a ela. Não me importa só me ajude. Eu não quero mais me lamentar por que vou morrer, eu quero aproveitar o que me resta. Quero sorrir, chorar, pular, dançar. E fazer coisas que me deixem felizes, coisas que são importantes para mim. Quero aproveitar cada momento, quero curtir cada segundo que me resta sem deixar nada passar. Por um momento eu nos imaginei no futuro novamente, mas no fundo sabia que isso nunca aconteceria. O tempo foi passando e ela foi piorando, foi ficando mais fraca, mas nem quando estava com dor fica triste. Sempre ficava com um sorriso enorme e fazia piadas hilárias, fazia as pessoas rirem, fazia si mesma rir. Talvez por fora, pois não consegui mais a ver por dentro. Pode ser que sua alma foi para fora. Que aquela pessoa que eu via era a parte mais pura e verdadeira dela. Ana me encantava mais e mais enquanto morria. Não ache esquisito por dizer isso alegremente, mas era verdade. Eu me apaixonava mais e mais por ela a cada dia. Sei que isso não foi saudável quando ela morreu. Mas quem liga? O importante foi que amei e fui amando tão profundamente que ser humano nenhum poderia explicar tamanho amor. Um cachorro talvez. Ela deixou um grande legado em minha vida. Ela me fez ver que vida é muito mais importante do que muita coisa que colocamos em um pedestal. A vida está além de seu celular, do seu computador, da sua TV, do seu livro. A vida é simplesmente um momento. Ela parece que tem anos, mas se você não a percebeu na verdade são minutos, segundos e até mesmo milésimos. Passa rápido, muito rápido. Queria que Ana estivesse aqui. Ela sim saberia explicar. 

Então é isso galera. Sei que o tema não é lá dos melhores, mas foi o que saiu, rs. 

Beijos, Luan 


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