22.1.15

[Resenha #94] Precisamos Fala Sobre o Kevin - Lionel Shriver


Titulo: Precisamos Falar Sobre o Kevin
Autora: Lionel Shrivel 
Páginas: 464
Editora: Intrínseca
Avaliação: 4/5
Skoob: 
Sinopse: Em Precisamos falar sobre o Kevin, Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, em maioria colegas de escola. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive.A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos. Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem. Cada interstício do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos. Por meio de Eva, Lionel Shriver quebra o silêncio que costuma se impor após esse tipo de drama e expõe o indizível sobre as frágeis nuances das relações entre pais e filhos num romance irretocável.
"Tampouco cobiço a muda comiseração dos amigos que 'não sabem o que dizer' e que, com isso, deixam que eu despeje a alma como forma de entabular conversa."




Minhas impressões

O livro é epistolar, cartas enviadas por uma mulher adulta e com uma nostalgia, uma mulher que não deixa de rememorar o passado, por pior que ele seja. O livro veio para chocar e nos fazer refletir, repensar sobre o que é a maternidade de fato. 


Eva Khatchadourian, uma mulher que viaja muito, viaja sempre, casada com Franklin Plaskett, um homem, que diferente dela, não costuma viajar tanto. Ela, gosta da liberdade, porém ela também gosta muito de seu marido. O sonho dela nunca foi a maternidade, mas no auge dos seus 30 anos aquilo começa a perturba-la e seu marido anseia por aquilo tanto quanto ela própria.

Fonte: whosthanny.com
Eva acaba engravidando de um menino, Kevin Khatchadourian, durante a gravidez ela conta como se sente, limitada, apenas servindo de cômodo para um bebê se desenvolver, um bebê que não foi iniciativa sua, que a impossibilita de seus prazeres, mesmo o livro sendo narrado após o nascimento de Kevin e até mesmo depois das atrocidades cometidas por ele, a autora consegue explanar bem o passado e intercalar com o presente da personagem. Importante destacar que Lionel Shriver faz isso com maestria e consegue ser muito sincera no papel de Eva, a personagem exprime todos os seus anseios e pensamentos, com certeza a sinceridade é o ponto mais marcante nos relatos do livro, inclusive e até mesmo sua repulsa por si mesma e por seu próprio filho.

"Sempre adotei a política, que você aliás admirava, de enfrentar meus receios, embora ela tenha sido concebida nos tempos em que meu maior temor era me ver perdida numa cidade estranha, uma brincadeira de criança. Quanto eu não daria, hoje, para voltar aos tempos em que não fazia ideia do que teria pela frente."

Durante todo o livro os personagens amadurecem e você amadurece com eles, é um livro triste, cartas de uma pessoa que foi feliz um dia. Existe uma reflexão sobre a maternidade, os personagens são bem construídos, a autora não joga a verdade na nossa cara, ela deixa nós escolhermos em quê acreditar, o que é maravilhoso, mostra bem como os nossos pais sempre vão interceder em prol dos filhos, mesmo que no subconsciente eles saibam que pode ser que "nós" estejamos errados. 

Uma coisa que é bem exposta no livro e que nos deixa pensando por um tempo é questão: "Será que alguns seres humanos já nascem de todo ruim, ou eles ficam com o tempo, com o amadurecimento?"  Vemos tantas atrocidades na televisão todos os dias e pensamos que aquilo está bem distante da gente, quando na verdade está bem do nosso lado, isto é outra discussão explanada no livro. Sem contar que a formação do personagem do Kevin é simplesmente encantadora e real, ele arrebata nossas emoções.

Créditos na Imagem
Porém, apesar de ter sido um livro que mudou a minha forma de ver as coisas, ele não obteve minha nota 5, por motivos simples, o começo é meio enfadonho, demora um pouco para engatar a leitura, e na minha opinião, ela só engata mesmo depois do nascimento do Kevin, porque a partir deste momento começam a acontecer coisas para surpreender os leitores e outro motivo que fez com que eu eliminasse com toda certeza um pontinho foi a previsibilidade, eu aguardei o livro inteiro por uma reviravolta, e quando eu vi que a surpresa do final eu já tinha pensado no começo do livro, me desanimou um pouco, mas o término do livro é emocionante de qualquer forma.

Uma dica, não leiam a sinopse do Skoob, tem alguns spoilers, está praticamente um resumo, a sinopse que foi posta aí no começo foi pega no Skoob, mas eu retirei as partes com spoiler. Espero que tenham gostado da resenha, faz um tempinho que não escrevia nada, mas vou tentar me organizar melhor nesse ano. 

Um grande beijo, até a próxima!







2 comentários:

  1. Sua resenha me despertou uma vontade imensa de ler esse livro. rs. Quem sabe....
    Beijos. ↓
    http://diariodostreze.blogspot.com.br

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  2. Oi.
    Amo esse livro. Você sabia que ele foi baseado em uma história real?
    Assista o filme também. É chocante!

    Amei a resenha. Você falou bastante dos seus sentimentos sem contar as atrocidades.

    Depois de ler este livro, eu acredito que tem gente que nasce ruim.

    Bjss

    Lelê

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